O futuro é agora

Marcas apostam em novas tecnologias para oferecer experiências de compra cada vez melhores aos clientes e aumentar sua produtividade de forma sustentável
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Com a agilidade da Internet, o consumo e a busca por novidades se tornaram ainda mais dinâmicos. E a tecnologia tem desempenhado um papel importante, oferecendo novidades nos processos de criação, de fabricação e de desenvolvimento dos produtos a fim de atender às novas demandas. No setor calçadista brasileiro, essa é uma premissa desde os primeiros passos da indústria no fim do século XIX. Hoje as marcas vêm investindo em inovações na busca por mais conforto, praticidade e estilo, apostando em  matérias-primas, maquinários e tecnologias que vão da pesquisa ao atendimento final do cliente, passando, é claro, por todas as etapas de produção.

Segundo a Absolute Reports, empresa sediada nos Estados Unidos e no Reino Unido que realiza análises comportamentais e de mercado, os calçados inteligentes e suas novas tecnologias devem representar uma grande parcela no crescimento global do segmento até 2023, lado a lado com uma busca cada vez maior por designs exclusivos e assinados. Muitas delas já ganharam a adesão dos fabricantes brasileiros, que apostam nas inovações em praticamente todos os segmentos – do infantil ao esportivo, passando pelos casuais e pelos calçados para bebês.

“Dentro de uma visão 360º das empresas e sua relação com o mercado, a tecnologia também está presente nos processos de venda e pós-venda, possibilitando maior aproximação com o cliente.”

A Opananken, criada em 1990 e cujos pares são feitos com processos e tecnologias que garantem alto conforto e efeito antiestresse, usa uma palmilha biodegradável de airlatex, material com memória permanente e propriedades antitérmicas e antibacterianas. “Quando vislumbramos as novas tecnologias que o mercado apresenta, é possível notar que a fabricação de calçados começa a tomar rumos diferentes. Hoje você consegue fazer um sapato em uma impressora 3D, e isso é algo completamente inovador; por outro lado, deve-se pensar em como produzir em grande escala utilizando essas novas tecnologias. Ainda estamos buscando esse gap”, explica Leandro Moscardini, gerente de exportação da marca.

Opananken Antistress (Foto Divulgação)

Na Opananken, a produção é enxuta nos processos organizacionais e produtivos, mantendo a tradição do calçado feito à mão. Essa combinação da tecnologia com o fator humano foi um dos pontos que fizeram com que a marca tivesse um ótimo desempenho nos últimos anos, estando presente em aproximadamente 40 países – número que, segundo ele, deve crescer ainda mais com a aposta em novas ferramentas de venda e novos formatos de negócios.

Comfortflex (Foto Divulgação)

O fator conforto, tão importante no setor calçadista, também é um dos pilares da Comfortflex, marca do Grupo Ramarim criada em 2009, que direcionou 35% do investimento de suas últimas coleções para novas tecnologias focadas na melhoria dos sistemas de conforto dos produtos. “O que fica evidente nos últimos anos é que a tecnologia, além de um diferencial, passa a ser também um elemento essencial na construção de uma coleção. O consumidor passou a valorizar ainda mais o bem-estar e, quando falamos num contexto de pandemia e pós-pandemia, a tecnologia tem um protagonismo em todas as etapas de uma marca”, afirma Tatiana Müller, gerente de exportação do Grupo Ramarim.

A Comfortflex também já oferece inovações como o uso de lycra para melhores ajustes dos modelos aos pés, palmilhas anatômicas e cunhos embutidos na altura do salto alto para melhor alinhamento da postura. “Atualmente, devido à quantidade de projetos distintos dentro da empresa, todas as marcas já estão pensando no ‘amanhã’, seja nos seus planejamentos e estratégias, seja nas matérias-primas. Nos solados, por exemplo, já usamos materiais de reaproveitamento em 30% da composição”, completa Tatiana. 

A sustentabilidade é uma das principais preocupações das marcas que pensam em um “futuro presente” mais responsável, percepção também já reconhecida pelo cliente final. Com a ajuda da tecnologia, as empresas veem novas possibilidades para minimizar impactos nos seus processos e no uso das matérias-primas. “Com os olhos do mundo voltados para o desenvolvimento sustentável, também investimos nesse segmento. Entendemos que é preciso ser responsável pelo consumo consciente, buscando reduzir o impacto sobre o meio ambiente”, diz Adriano Pires, diretor industrial, comercial e técnico da Kidy – marca referência nos calçados infantis fundada em 1990.

Segundo ele, a customização em sintonia com as necessidades e preferências de cada cliente é o que se espera dos calçados do futuro. A tecnologia permitirá, em breve, levar a personalização em consideração. “A Kidy é uma empresa totalmente responsável e se preocupa não somente com o desenvolvimento de produtos que proporcionam saúde e conforto, mas também que garantam uma redução do impacto ambiental”, completa ele.

Entre as inovações ligadas à sustentabilidade, Adriano destaca uma lona usada em tênis casuais confeccionada com 49% de algodão reciclável, a tecnologia Vinyl Tech – material vegano usado em calçados femininos, do bebê ao teen, isento de aditivos de origem animal – e o uso de um composto de fibra natural feito a partir da casca do coco que é usado nas solas (um destino adequado para o resíduo que, quando abandonado nas praias, demora até dez anos para se decompor).

Kidy (Foto Divulgação)

A Kidy também oferece solas com furos que criam canais de circulação de ar, palmilhas transpiráveis, proteção antibacteriana para evitar mau cheiro, desenhos anatômicos que ajudam no equilíbrio dos pequenos e materiais laváveis na máquina com maior resistência e durabilidade.

Outra marca de destaque no segmento infantil (em especial para meninas), a Pampili, fundada em 1987, vem adotando uma estratégia de inovação alinhada com uma mudança constante no comportamento e nos avanços digitais. “O mundo mudou e as exigências do consumidor e do varejo se transformaram. Além disso, a jornada do cliente não se compara ao que era há alguns anos, então nós tivemos que nos adaptar”, afirma Diego Colli, sócio e diretor do grupo.

Pampili (Foto Divulgação)

Na busca por práticas mais sustentáveis, a empresa adotou o uso de adesivos à base de água, que eliminam os solventes, e com compostos micro expandidos nos solados que deixam os pares mais leves e com menos impacto no meio ambiente durante sua fabricação. Para proporcionar mais conforto e segurança, a Pampili vem investindo em várias inovações: uma delas é a palmilha C’Alma, que tem um formato anatômico para que o calçado sirva como um massageador dos pés, ativando as terminações nervosas que passam pela região. Também fazem parte da lista os solados com tecnologia antiviral, que rompe a camada bilipídica da maioria dos vírus; a malha pet, feita com garrafas pet; a fivela Easy, com sistema de abotoamento sem pino, que adequa com maior facilidade no calce.

“Recentemente lançamos o Pamp Jump NFT, primeiro tênis NFT no Brasil que foi leiloado com o objetivo de arrecadar fundos para a ONG Movimento Saber Lidar, que apoia crianças e jovens em situação de vulnerabilidade.  Todo o processo de compra do NFT foi automatizado por meio de contratos inteligentes em blockchain (smart contracts)”, completa Diego.

Olhando para a linha do tempo do setor varejista de calçados, Fernando Parra, sócio-diretor da marca masculina  Ferricelli,  criada em 1995, cita as lojas de autosserviço como uma das inovações do mercado. “Seguindo este caminho, criamos junto à inserção da marca na calcanheira um QR code onde o próprio cliente ou vendedor pode conhecer melhor as características do produto”, conta. Além de todas as inovações em produção e matérias-primas, as empresas apostaram no investimento em novos maquinários e organização de sistemas para a ampliação da produção, como o de solados em EVA, da Ferricelli, com uma esteira exclusiva para esse modelo. “As tecnologias são essenciais para a melhoria dos calçados e para o aumento de produtividade. Também montamos um estoque regulador dos nossos itens mais vendidos para repor com agilidade o varejo, diminuindo assim o investimento em estoque que poderia ficar parado”, afirma Fernando. Já o grupo Ramarim mudou seu perfil de produção para dar início a projetos de private label, conseguindo atender a comercialização de marcas internacionais como a Adidas, a Vans e a Oakley.

Ferricelli (Foto Divlgação)

Dentro de uma visão 360º das empresas e sua relação com o mercado, a tecnologia também está presente nos processos de venda e pós-venda, possibilitando maior aproximação com o cliente. O crescimento de um mercado digital e o desenvolvimento de sistemas virtuais mais aprimorados possibilitam um apoio ainda maior a lojistas e novos formatos de venda. Agilidade, praticidade e personalização são palavras cada vez mais comuns no dia a dia das grandes marcas e impactam positivamente o mercado – seja por meio das lojas de autosserviço e de um QR code com as características dos calçados, já implementados pela Ferricelli, ou por meio de e-commerces diretos no B2C com perfis mais intuitivos, como o da Kidy. Tudo para garantir a melhor experiência ao consumidor final.

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